Eu ganhei!!!
Em 26 de maio de 2011, por ocasião da feira do livro de Caçapava do Sul, houve sessão solene da câmara de vereadores em comemoração ao aniversário da Radio Caçapava e a premiação dos vencedores do 2º Prêmio Literário Legislativo de Caçapava do Sul, e eu estava lá...
Inscrevi uma crônica e ganhei o 2º lugar.
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Príncipes viram sapos... e Condes viram o quê?
Aprendi, na infância, que sapos viram Príncipes, que basta beijá-los. E numa ilusão infantil, percorri alguns brejos à cata de um sapo encantado... Depois cresci e descobri que é o contrário: os príncipes é que viram sapos, independentemente de quanto os cuidamos ou acariciamos.
Então desisti dos príncipes. Mas quase que por acaso, numa dessas tecladas que damos muito mais por curiosidade do que por necessidade, aparece-me, por de trás da vidraça, um Conde. Logo me veio à lembrança uma personagem que povoou a minha adolescência: o Conde Drácula.
Fascinava-me aquela figura alta, esguia, sóbria, pálida, de olhar magnetizador. Convidava suas vítimas para visitar o seu castelo, e hipnotizadas pela misteriosa figura, todas compareciam. Lá, após alguns olhares e abraços sedutores, elas eram sugadas no pescoço. Assim, o Conde satisfazia os seus caprichos, alimentava-se com os sonhos e o sangue de todas, incondicionalmente. Estavam todas condenadas a vagar e destruir outros sonhos.
Eu também não escapei ao encanto: fui encontrar o Conde. Supreendentemente, não correspondia à imagem que eu cultivei na adolescência. Não era alto, nem pálido, nem sóbrio, mas magnetizador era. Fazia o tipo esportivo, e não era o olhar que me magnetizava, era o cabelo. Branco, fino, solto...
Conhecendo todos os riscos, aceitei o convite, e, sem oferecer nenhuma resistência fui ao castelo... os meus sonhos ficaram lá, mais um punhado de sonhos para manter o Conde em seu nobre status.
Embora a gente cresça e conheça todas as lendas, não desistimos de procurar um ser encantado para aquecer nossa existência, para que viver não se torne um simples vagar...
Príncipes viram sapos... e Condes viram o quê?
A CRÍTICA ...
[...] Sobre o teu trabalho, posso dizer que gostei muito. É uma crônica muito bem elaborada, que dá gosto de se ler. Algumas particularidades me chamaram a atenção. Primeiro que fazes uma distinção entre a fábula que o sapo vira príncipe, com a realidade cotidiana em que os tão sonhados e idealizados príncipes é que acabam virando sapo. Depois vem a questão dos condes... Com uma boa lembrança a respeito da figura do Drácula. Aqui entra aquela velha questão abordada também pelas histórias infantis de certa atração que as mulheres sentem pelas figuras menos estereotipadas como ideal de beleza. Isso está patente no conto A Bela e a Fera. E Drácula exercia esse fascínio, pelo mistério de sua figura enigmática e magnetizante. Por isso as mulheres adentravam em seus domínios e eram sugadas no pescoço... Gostei de dizeres que o Drácula se alimentava do sangue e dos sonhos delas, que elas, por sua vez, continuariam a vagar, sugando outros sonhos também... No caso da personagem que narra a crônica, a busca foi por um Conde fruto de tecladas num universo antes apenas virtual. Depois a aceitação do convite para o encontro. Este Conde, não correspondia fisicamente à imagem de Drácula, mas também era magnetizador. Este era moderno e real, mas que alimentou um sonho feminino, além de também se alimentar do sonho dela. Foi uma troca, uma osmose, de dupla e mútua satisfação, que evita o eterno vagar... E gostei muito também do final em aberto, cujo desfecho está além da crônica, ancorado pela eterna e não respondida pergunta exposta desde o título: PRÍNCIPES VIRAM SAPOS...E CONDES VIRAM O QUÊ?
Por Nelson Corrêa, membro da Casa do Poeta de Santa Maria (RGSul). caprica2008@hotmail.com















