quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ENFIM, A MONOGRAFIA!!!!!

A DEFESA


Dia 23/12/2010, dia de, enfim "defender a monografia"... defender! 
O verbo defender causa-me a sensação estranha de ver a Monografia entrando no tribunal, algemada... olhos esbugalhados, jurando inocência, dependendo apenas do meu testemunho para ser absolvida.
Prefiro o verbo apresentar, é mais leve, menos impactante.
Mas, defendendo ou apresentando, lá estive eu e ela (a Monografia!) diante dos Doutos, a espera de nossa sentença. Fomos absolvidas!!!! Ufa, já era tempo.
Jornal A FONTE, 08/01/2011, São Sepé

A CARTOMANTE ( Intertextualização com texto de Machado de Assis)

A CARTOMANTE ( Intertextualização com texto de Machado de Assis)


AS CARTAS NÃO MENTEM... JAMAIS!
Cleana E. C. Brum



         Idos de 1983. Na pequena casa, na zona central da cidade, a mulher angustiada limpava a louça do almoço. Tinha ficado inquieta com os comentários feitos por sua mãe, a respeito de companhias com quem havia se acompanhado ao show infantil no qual levara seus filhos no dia anterior.  A mãe lhe aconselhou a não mais sair em companhia da vizinha Alice e de seus sobrinhos, também pequenos, regulando em idade com seus filhos. O “conselho” caiu como um raio, foi fulminante.
         Louça lavada, panelas bombrilhadas, refletiam sua imagem um tanto fora de forma, embora sua pele e seus cabelos fossem bem tratados.
         A mulher resolveu que aproveitaria a ausência do marido, que estava para o interior, ocupando-se de lidas agropecuárias, iria à casa da famosa cartomante Eliane, que morava em bairro distante do centro. Eliane morava próximo ao cemitério municipal, bem longe do centro. Não a conhecia, nunca tinha visto antes aquela figura cheia de mistérios e segredos, inclusive o seu.
         Lembrou-se do que suas amigas e clientes (a mulher era consultora de beleza de famosa marca de cosméticos) contavam a respeito da competência dessa cartomante em desvendar segredos e apontar soluções. Qual seria o mistério que havia na fala de sua mãe? Será que...? Será...?
         Considerou a distância, o sol que estava cáustico, o pouco dinheiro. Mas a ansiedade era maior. Decidiu-se por desviar aqueles 5 cruzeiros que guardava para gastar com seus cosméticos. Vestiu uma camiseta com mangas e decote que a protegessem do sol. Óculos escuros, cabelos presos em um rabo de cavalo. Bermuda vermelha e branca em xadrez miúdo, nos pé, havaianas. Um visual comum, incapaz de despertar atenção. Em momento algum do trajeto, que faria a pé, poderia encontrar algum conhecido, logo saberiam onde estaria indo. O marido não a perdoaria por estar gastando com essas bobagens. Suas amigas e conhecidas iam lá com frequência, mas iam de carro, assim não eram vistas a caminho da “madame” e seus maridos jamais suspeitariam, pois estacionavam carros em frente ao cemitério!
         Distância vencida, sem olhar para lado nenhum, não podia correr o risco de encontrar conhecidos, logo saberiam que ela estaria indo à cartomante, afinal para aqueles lados era a cartomante ou o cemitério. Não queria as indagações que as pessoas inescrupulosamente fazem a respeito de andar-se por “aqueles” lados. Também tinha a vergonha de ir à cartomante.
         Chegou. Suada e vermelha, sua pele era muito alva, sensibilizava-se ao sol. Apesar do estado físico que chegara teve a sorte de não encontrar nenhum conhecido pelo caminho e melhor, na sala de espera só ela.
         Um rádio ligado para confundir os sons. Então começou a agonia da espera na antessala. Na aflição da espera começou a lembrar um conto que leu certa vez. Era um conte Machado de Asssis, “A Cartomante”. Por um momento sentiu um arrepio em lembrar o fim de Camilo e Rita... “credo que horror!” pensou.
         Tomara que a cliente que estava a consultar não fosse sua conhecida, coisa desagradável encontrar conhecidos nesse lugar, o que iriam pensar? Sem contar a pergunta cretina que fazem a quem está esperando, como que a justificar a presença ali: “tu acreditas nessas coisas”?
         Acreditando ou não, lá estava a mulher. Suada, vermelha, trêmula, ansiosa. Estava a um passo da verdade. Enquanto esperava conversava com uma simpática menina, filha da Eliane, mas a lembrança da tragédia de Rita e Camilo ainda povoava seus pensamentos. A consulente que estava no consultório saiu. Que alívio! Não era sua conhecida, pelo menos não a ponto de explicarem-se por que estavam por ali.
         Incrível! Eliane não parecia com aquelas figuras caricaturadas que a literatura costuma nos apresentar para caracterizar uma cartomante. Era uma mulher relativamente jovem, com idade semelhante a sua, uns 25 anos aproximadamente. Pele e cabelos claros. Os cabelos conservavam a cor natural, um loiro-cor-de mel, soltos na altura dos ombros, estatura mediana, não era magra, mas não podia ser considerada gorda. Tinha seios fartos, talvez isso lhe desse um aspecto mais cheio. Olhos esverdeados, sorriso claro.
Vestia roupa clara e discreta. Nenhum esmalte nas unhas, nada de maquiagem, nada de turbantes e outros apetrechos. Uma aparência comum, agradável.
                  Mandou que a mulher entrasse. Perguntou-lhe o nome, a data de nascimento. Perguntou quem havia lhe indicado para a mulher. A mulher respondeu que fora uma amiga, aliás, as amigas sempre faziam bons comentários a seu respeito. Eliane tinha um crédito muito grande no seu círculo de amigas e clientes.
         O “consultório” era muito limpo, lajotas brilhantes no chão, uma mesa quadrada com toalha muito alva, duas cadeiras, um ventilador, e um copo de água sobre a mesa. Na parede um enorme quadro com a imagem de São Jorge; ao que a cartomante disse: “é ele quem responde, meu guia!”
         Pediu que a mulher baralhasse as cartas e depois cortasse em três partes. Cortadas às três partes pediu-lhe que escolhesse um montinho. Agarrou o montinho, firmou-o entre as mãos, olhou a consulente nos olhos, sorriu levemente e perguntou quem a mulher queria marcar.
         A mulher totalmente atordoada pela ousadia que tivera indo fazer aquela consulta correspondeu ao olhar firme e respondeu: “meu marido”. A sorte estava lançada... naquele montinho de cartas, seguras entre as mãos fofas da cartomante, estava o grande segredo. Num lampejo ainda lhe voltou à mente a tragédia de Machado.
         A cartomante virou a primeira carta. Apareceu a figura de um homenzinho de terno verde. Virou a segunda carta. Uma raposa com ar sorrateiro. A terceira carta – uma mulher de vestido claro, cortado na cintura e saia aramada, como os modelos dos anos 60.
         Eliane olhou fixamente para as três cartas abertas em cima da mesa. Seu rosto ficou sério. Olhou para a mulher que ansiava por escutá-la. Sem hesitar, sem medo de errar a cartomante foi taxativa: “teu marido tem outra mulher”.
         Pasma pela sentença que acabara de ouvir, a mulher pouco prestou atenção aos detalhes que faziam parte da história. Oura vez à memória o trágico fim de Rita e Camilo... Contudo ainda registrou que o caso era sério e que a raposa era alguém que ela conhecia, e que familiares da raposinha conviviam com a mulher. Descreveu a outra nos mínimos detalhes. O conselho da mãe estava decifrado! A maldita raposa era irmã de Alice. As crianças que Alice levara ao show, em companhia da mulher e seus filhos, eram os filhos da raposa.
         E agora, o que a mulher faria com essa revelação? Como dizer ao marido que sabia de tudo? Como inquirir o marido com base em uma consulta à cartomante?
         O marido, se bem o conhecia, riria dela...  chamar-lhe-ia de otária, dando ouvidos a esse tipo de gente. Juraria que era mentira, compraria umas panelas novas, um fogão novo, um sofá novo - era seu costume, para aliviar-se de algum pecado, equipar a cozinha com as novidades do momento; e proibiria a mulher de voltar naquela charlatã. 
          Que dom teria a cartomante para conhecer os segredos mais resguardados? Que dom é esse de dominar mistérios? E o que fazer com revelações chocantes e imutáveis?
         O que a mulher faria com aquele segrede descoberto? Juntando as peças ela sabia que a cartomante dizia a verdade, mas o marido negaria, com base na cartomante. Os amigos prefeririam não se meter. E agora... “e agora José?” 
         A mulher estava convicta da traição e da raposa, porém não podia dar como testemunha uma cartomante. Agora, diante da verdade, havia uma questão de honra, uma atitude precisava ser tomada. Afinal todos esperam uma atitude que dê um fim digno a um caso assim. A atitude demorou um pouco, mas veio. Era preciso provas que vieram em abundância, e não apenas revelações de uma cartomante.
         Não houve nenhum crime para lavar honras feridas. O fim foi menos drástico - uma separação apenas, que doeu tanto quanto a morte, não foi um crime passional, mas foi uma morte; a morte de um sonho que enlutou a mulher por muito tempo.
         O marido continua odiando cartomantes e a mulher, pelo menos uma vez por ano, faz uma consulta, pois acredita em bruxas e que elas existem... existem.

Reflexões sobre minhas vivências de leitura


Reflexões sobre minhas vivências de leitura

Interessante, como antes de hoje, eu nunca havia feito esse tipo de reflexão... E agora, com uma prazerosa saudade remexo meus arquivos. E não são traças que encontro em tão antigos guardados, mas lembranças, quase palpáveis, da nossa “biblioteca” (um móvel comum, que ainda hoje, está lá, na casa de mamãe) – carregada da coleção CONHECER, de obras de Sherlock Holmes (hoje descubro que meu pai era fã!), e das maravilhosas revistas do Tio Patinhas, Pato Donald, Mickei... Que o meu pai lia e dava sonoras gargalhadas! Meu Deus, aquela incontida alegria de papai nos despertava a curiosidade, afinal queríamos rir, queríamos, nós também, aquela alegria toda.
Então, nos aproximávamos e ele nos mostrava as personagens e nos contava a história, chamando nossa atenção para os detalhes das imagens, as falas dos balões – o que era choro, o que era riso, pensamento, raiva... e assim tantos outros tipos.
Tive também uma avó que contava longas histórias com descrições riquíssimas em detalhes... Era a vovó Donalda da minha infância. Porém a torta de maçãs era compensada com deliciosos bolinhos de polvilho. Meu super-heroi, o Superpateta, que com um amendoim cheio de poderes, transformava-se no defensor dos oprimidos; a bruxa malvada, a Maga Patológica; e a bruxa atrapalhada, a madame Mim.
Depois, veio o tempo de ir para a escola. Eu era medíocre com fórmulas e números, me davam uma surra! Mas com as letras!... Ah! Com as letras eu era brilhante, pois eu LIA além delas e estava (anteriormente, muito anteriormente!) preparada para as severas questões gramaticais porque eu tive o privilégio desse preparo, em meio às sonoras gargalhas de meu pai – que hoje repito em frente aos meus alunos – e os percebo com a minha antiga curiosidade - e os doces e macios bolinhos de polvilho da vovó Adony-Donalda.
Acho que vou parar de escrever... As lágrimas me saltam dos olhos.
Valeu vovó, valeu papai!
Nossa Biblioteca...





















POESIA NO ÔNIBUS - CONCURSO LITERÁRIO

POESIA NO ÔNIBUS
A Casa do Poeta de Caçapava do Sul, em parceria com a empresa Viação Caçapavana Ltda (VICALTUR) promeveu O Primeiro Concurso de Poesias no Ônibus, para revelar talentos literários do município e de cidades vizinhas. Com tema livre, o concurso teve dezenas de trabalhos inscritos, e posteriormente divulgados nos transportes coletivos da empresa parceira.
Cleana Brum, que diferentemente dos outros concorrentes, inscreveu APENAS  um trabalho, que foi classificado em 3º lugar. A entrega da premiação foi em 20 de Setembro, na Sede da Casa do Poeta Clara Haag Kipper, em Caçapava do Sul.



O Trofeu (escultura em ferro)

Com Felicia, presidenta da Casa do Poeta de Caçapava  (CAPOÇA)



Casa do Poeta "Clara Haag Kipper"




















Jornal "A FONTE" de São Sepé, em 1º de Outubro de 2010.


























O texto...







































segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

MOSTRA DE TRABALHOS

A Despedida... em 10.12.2010

“Conviver com a poesia permite-nos estar de olhos abertos, olhando além do que se vê, percebendo outros detalhes dentro dos contornos visíveis” (Fernando Pessoa)



E foi assim... impregnados de poesia que percorremos essa etapa de nossa vidas. Buscamos através de diversas linguagens a expressão poética. Produzimos durante o ano letivo de 2010 o trabalho que ora apresentamos.



Foram quatro anos de caminhada, lado a lado, construindo, conhecendo, estreitando laços. Agora, vencida a primeira etapa, preparados para os próximos empreendimentos e rumos diferentes que darão as suas vidas, concluem o ensino fundamental e despedem-se da “Chananeco” os http://www.scribd.com/doc/26276433/NARRADORES-DA-CHANANECO- 2007 . Para esse momento de despedida prepararam um momento especial.



Então, na segunda mostra de trabalhos, os Narradores fizeram uma ciranda de versos que envolveu muitos dos participantes, que redescobriram a ludicidade dos brinquedos de criança, e recitaram quadrinhas populares. Houve recitação de poesia pela aluna Paloma Lopes, que declamou versos de sua autoria; Renata Lopes e Paloma Lopes cantaram “Tordilho Negro”, no que foram acompanhadas pela plateia. Os rapazes cantaram a irreverência dos “Mamonas Assassinas”. Assim entre cantos e versos os Narradores da Chananeco despediram-se da sua querida escola.



Fica aqui o meu muito obrigada, pelas suas presenças na minha caminhada, vocês iluminaram o meu caminho, podem ter certeza.



Logo ali, em 2020, temos um encontro marcado para abrirmos a cápsula do tempo.



Até lá, meus queridos filhotes.



Abração da professora

CLEANA



A turma - 8ª série de 2010







Ciranda, Cirandinha, vamos todos cirandar...


"Roda, roda, viva... roda, roda, vem... me passaram a mão"


"Atirei um limão..." a professora Cláudia Gressler disse verso na roda!

"O anel que tu me deste era vidro e se quebrou..."


"Tordilho Negro berrava na espora..." Paloma e Renata são ovacionadas pela plateia.


"Raios..." Mamonas Assassinas em nova versão... rsrsrs

Os astros: Luca, Guilherme, Fabiano, prof. Cleana, Patrick, Gustavo