quarta-feira, 1 de junho de 2011

PANDORGA DE POESIA

             FEIRA DO LIVRO DE 2011      
     "A SMEC e a Fundação Cultural Afif Jorge Simões Filho, na segunda quinzena de março, distribuíram nas escolas das redes municipal, estadual e particular de ensino, os livros a serem trabalhados em sala de aula para o encontro com o escritor e o aluno leitor durante a Feira do Livro 2011, inserida nas Programações da Semana dos 135 anos de Emancipação Política do Município.
  Desde 2005, acontece a distribuição de livros, onde professores são convidados a realizarem uma leitura prévia com os alunos e, durante a Feira, acontece o encontro dos escritores com o público leitor.
   O Patrono da Feira do Livro 2011 é o advogado, poeta, ficcionista, Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras. Seu livro "Melhores Poemas" foi distribuído para as escolas de Ensino Médio e Ensino Superior.
      [...]       
     Para os Anos Finais do Ensino Fundamental, o livro doado foi "Ao Encontro da Vida", de Eduardo Purper. O livro conta, através das crônicas, a relação de Dudu com pessoas que foram importantes ao longo de sua vida. Entre elas, familiares como os seus pais, um irmão que faleceu amigos, colegas de faculdade, terapeutas e uma antiga professora do Colégio Americano. "O livro é uma homenagem para pessoas importantes da minha vida. No livro, eu conto um pouquinho de minha relação com essas pessoas", explica Dudu.
   Eduardo Silva Purper nasceu no dia 2 de abril de 1986, é formado em Jornalismo pelo Centro Metodista IPA. Possui um programa de entrevistas "A Palavra É Sua" na rádio da faculdade e que agora, também virou site. Dudu tem paralisia cerebral que afetou sua visão e sua parte motora, mas, nem por isso se deixa vencer, muito pelo contrário. Em maio de 2000, aos 14 anos, lançou o livro "Purper é Gol", que havia sido escrito dois anos antes. A obra foi escrita dois anos antes e foi manuscrita em suas aulas de psicomotricidade. Realiza palestras de cunho inclusivo e motivacional em universidades, colégios, empresas privadas, sendo destaque no Jornal Nacional da Rede Globo, Grupo RBS, Bandeirantes, TVE, além de sites de notícias.
Pandorga da Lua - livro com CD musical distribuído para as pré-escolas e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, são poesias de Jaime Vaz Brasil e musicadas por Ricardo Freire.
    É o único musical infantil em ritmos gaúchos. O Musical Pandorga da Lua apresenta um elenco de músicos e atores profissionais, o que valoriza e legitima ainda mais o espetáculo. São eles: Ricardo Veríssimo Freire - (voz e teclado/piano) - músico e compositor (www.ricardovfreire.com) Ângela Gomes - (voz e percussão) - Cantor -Tuny Brum - (voz e violão) - Músico e compositor com mais de 400 músicas gravadas pelos mais renomados artistas gaúchos -Marcelo Schmidt - (bateria) - Músico e compositor Felipe Alvares (Contrabaixo) - músico instrumentista - Premio Açorianos 2008 Sergio Rosa (Acordeon) - músico e compositor - Atriz:Denise Copetti
  Pandorga da Lua é um projeto educativo essencialmente gaúcho e será apresentado no Ginásio de Esportes no dia 27 de abril para os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental e pré-escolas".   
  • Então, acatando a proposta da SMEC realizei com meus alunos do 5º ano (4ª série) uma “Pandorga de Poesia”. Após prazerosa leitura da obra de Jaime V. Brasil, momento que fizeram gaitinhas de papel para acompanhar o ritmo das poesias os alunos confeccionaram pandorgas coloridas onde colaram os textos poéticos.
  • Já os alunos da 6ª série, que tiveram conhecimento da biografia de Purper e de seu trajeto na vida e nas Letras, ficaram sensibilizados com tamanha superação, e através do gênero textual depoimento fizeram a apreciação proposta pela SMEC. Foi um sucesso a feira do livro em 2011. A presença dos autores sempre envolve muito os jovens, seja pela identificação ou pela simples admiração.



A pandorga em construção...

Professora de matemática interage conosco: dá uma aula sobre figuras geométricas...



Pandorgas prontas para voar...

Agora enfeitam a sala de aula...
Seleção de textos produzidos pela 6ª série, após conhecimento da biografia de Purper.

Fernando Junior
Henrique Nascimento
6ª Série – abril 2011



 Quem é Purper?


      Purper é um exemplo de superação.
    Ele com todos os seus problemas e com todos os preconceitos realizou o sonho de ser jornalista.
    Todos devem sentir orgulho de uma pessoa como Purper. Pois as pes-soas capazes de andar, falar, escrever, às vezes , desistem de lutar até o final pelos seus sonhos.
     Ele, em uma cadeira de rodas, e com dificuldades para falar, conseguiu fazer isto, tornar-se um jornalista. Tem gente que reclama da vida, tendo tudo, e ele a despeito dos preconceitos de algumas pessoas calou a boca de quem achou isso impossível.
    Todo mundo tem uma limitação e Purper, por pior que fossem as suas não ligou, fingiu que elas não existiam e foi em frente. É hoje, um grande ven-cedor, exemplo para qualquer jovem.




Lucéli Machado Guterres
6ª Série – abril 2011


                                           A superação de um jovem sonhador
    Penso que Dudu que foi vencedor! Para um jovem que teve que superar tantos obstáculos... e mais que sua deficiência, seus medos e dificuldades em tudo o quanto pensa e faz.
   Penso, também, que ele foi mais que um simples vencedor, também porque teve uma base sólida oferecida pela sua família.

  Fico imaginando que, se fosse comigo, talvez não tivesse a audácia que ele teve e a persistência que fez ser quem, hoje, ele é.
   Agora só desejo que ele realize muitos sonhos que provavelmente ele tenha em mente. Fico me perguntando: será que ainda existe alguém capaz de tanta superação?
   É... pode ser que sim, pode ser que não, mas pra eu usar a história dele e dizer que, contudo, essa história é única.







Franciéli da Silva
Jovana Machado
6ª Série – abril 2011


Purper – o guerreiro

  Nesse depoimento que fizemos, queremos dizer que achamos Puper um guerreiro que tem muita força para enfrentar os seus problemas. Pois não é qualquer pessoa que tem essa força toda.
  Principalmente, quando perdeu seu irmão, Alexandre, ainda continuou com sua perseverança para enfrentar as dificuldades ocasionadas pela defici-ência física.
  O voto que deixamos a ele é que continue olhando para frente e nunca desista do que quer, mesmo diante das limitações.


























sábado, 14 de maio de 2011

SÃO JORGE

           HISTORIA...
           De acordo com a lenda, Jorge teria nascido na antiga Capadócia, região do centro da Anatólia que, atualmente, faz parte da República da Turquia. Ainda criança, mudou-se para a Palestina com sua mãe, após seu pai morrer em batalha. Sua mãe era originária da Palestina, Lida, possuía muitos bens e o educou com esmero. Adolescente, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade — qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Nicomédia, exercendo a função de Tribuno Militar.
          Após a morte de sua mãe, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres.
         O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os romanos deviam se converter ao cristianismo. Todos ficaram atônitos ao ouvir  estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. O imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos, porém Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, e seu martírio, aos poucos, ganhava notoriedade, e muitos romanos tomavam as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador.
         Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia (Ásia Menor).
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado, e mais tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.
Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, em Bizâncio, no Estreito de Bósforo na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da Igreja Católica.
         Posteriormente, pelas reformas do Papa Paulo VI, São Jorge foi rebaixado a santo menor de terceira categoria (segundo hierarquia católica), cujo culto seria opcional nos calendários locais e não mais em caráter universal. No entanto, a reabilitação do santo como figura de primeira instância, e arcanjo, lembrando a figura do próprio Jesus Cristo, pelo Papa João Paulo II em 2000, conferiu nova relevância a São Jorge. Atualmente, haja vista a grande popularidade e apelo turístico de festas como a escocesa St. Andrew's Day, a irlandesa St. Patrick's Day e mesmo a galesa St. Dave's Day, têm-se formado grande iniciativa de setores nacionalistas para que o St. George's Day volte a gozar da mesma popularidade entre os ingleses como antigamente.

Lenda do dragão e da princesa
         Baladas medievais contam que Jorge era filho de Lorde Albert de Coventry. Sua mãe morreu ao dá-lo à luz e o recém-nascido Jorge foi roubado pela Dama do Bosque para que pudesse, mais tarde, fazer proezas com suas armas. O corpo de Jorge possuia três marcas: um dragão em seu peito, uma jarreira em volta de uma das pernas e uma cruz vermelho-sangue em seu braço. Ao crescer e adquirir a idade adulta, ele primeiro lutou contra os sarracenos e, depois de viajar durante muitos meses por terra e mar, foi para Sylén, uma cidade da Líbia.
Nesta cidade, Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão.
         Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. Ao chegar lá, viu um pequeno cortejo de mulheres lideradas por uma bela moça vestindo trajes de pura seda árabe. Era a princesa, que estava sendo conduzida pelas mulheres para o local do sacrifício. São Jorge se colocou na frente das mulheres com seu cavalo e, com bravas palavras, convenceu a princesa a voltar para casa.
         O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.


São Jorge, a Lua e os Orixás
A ligação de São Jorge com a lua é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana. Tal associação se dá porque na religião do candomblé, predominantemente na Bahia, o santo é associado a Oxossi, orixá associado à lua. Na religião da umbanda, o santo é associado a Ogum. A tradição diz que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo, seu cavalo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.


São Jorge na cultura popular
  • Dia 23 de abril, para algumas das religiões afro-brasileiras, é o dia em que se fazem homenagens ao santo.
  • Jorge de Capadócia é uma música de Jorge Ben, interpretada também por Caetano Veloso, Fernanda Abreu e pelos Racionais MC's.
  • As tatuagens com o santo estão entre as que fazem mais sucesso no Brasil
  • São Jorge é tido como o padroeiro do Corinthians. Acredita-se que sua história de devoção e fidelidade à Verdade cristã até o fim de seu martírio seja a origem do termo "Fiel", popular entre os torcedores e presente em várias agremiações corintianas.
  • Existe um romance sobre São Jorge criado pelo escritor italiano Tito Casini chamado Perseguidores e Mártires (no Brasil, editado pelas Edições Paulinas, por volta de 1960). No livro, São Jorge é retratado como o verdadeiro paladino da Capadócia que, apesar de ser perseguido pelo tirano imperador Diocleciano, manteve-se fiel ao Império Romano, mas também a Cristo e se recusou a contrair alianças com o genro do imperador, Galério, que pretendia ter o apoio do conde da Capadócia para deliberar um golpe contra Diocleciano, o que terminantemente, o santo militar recusou.
  • A banda inglesa Iron Maiden fala de São Jorge na música "Flash of the Blade", no álbum Powerslave.
  • A banda brasileira Angra utilizou a imagem do santo na capa do álbum Temple of Shadows.
  • Zeca Pagodinho gravou recentemente em seu álbum "Uma Prova de Amor" a música "Ogum" com uma letra com um forte apelo ao sincretismo, a oração de São Jorge é feita no trecho final da música pelo cantor e compositor Jorge Ben.
  • Moacyr Luz e Aldir Blanc fizeram a música "Medalha de São Jorge" em homenagem ao santo.


  Disponível em   Wikipédia, a enciclopédia livre  /São_Jorge. Acessado em 23.04.2011 

SALVE JORGE!!!

Eu estou vestida com as roupas,
e as armas de Jorge.
Para que meus inimigos, tendo pés,
não me alcancem,
para que meus inimigos, tendo mãos,
não me toquem.
Para que meus inimigos, tendo olhos,
não me vejam.
E nem mesmo um pensamento
Eles possam ter para me fazerem mal,
Porque eu estou vestida com as roupas,
E as armas de Jorge...
Salve Jorge!!
Armas de fogo
o meu corpo não alcançarão,
facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes arrebentem
sem o meu corpo amarrar,
porque eu estou vestida com as roupas
e as armas de Jorge
Salve Jorge!!
Salve Jorge!!!


sábado, 26 de março de 2011

"Escrito nas estrelas"

Relembrando alguns  fatos minha memória cantarolou: “meu amor, o nosso amor estava escrito nas estrelas...” então pensei que há coisas que estão escritas, a despeito do nosso esforço em reescrevê-las. E foi o que aconteceu com Irene, Nélio e Mariana.
Irene e Nélio, casados há 15 anos, ambos professores, bem sucedidos profissionalmente. Moravam em pequena cidade, próxima à capital.
Irene, mulher bonita, sofisticada, de abastada família de comerciantes, tinha uns 5 anos a mais que o marido, coisa que não dava para perceber.
         Nélio, homem simpático, politizado, professor do curso “científico”, estava na sua mais perfeita forma, no esplendor dos 40 anos, quando segundo a crença popular, o homem vive a “idade-do-lobo”.
         Esse casal, após 15 anos de feliz união, experimentava uma crise na  relação.  Pois não é que Nélio caiu nas graças de uma aluna do 3º ano, moça bonita, de tradicional e rica família da cidade e que tinha muitos anos a menos que ele. O professor não ficou indiferente à simpatia da aluna.
         Assim, em poucos meses, cresceu mútua simpatia entre o professor e a aluna. Mariana, jovem além do seu tempo, para fartar o falatório da pacata cidade, logo se tornou “amante” do professor. Viveram uma relação intensa a despeito dos dedos apontados, e a “coitada” da Irene, fazendo vistas grossas, tentando de todas as formas manter o casamento que há muito desabara.
         Os amantes estavam de tal forma envolvidos, que o professor finalmente, tratou de se divorciar de Irene.
         Inconformada com o divórcio, e mais, com a troca; Irene,  depois de muito choro e ranger de dentes, resolveu que iria consultar um oráculo, afinal, haveria de ter qualquer coisa que pudesse ser feita e assim restabelecer o casamento.
         Findava a primavera. A professora entrou no carro, rodou alguns quilômetros e quarenta minutos depois estava na  cidade vizinha, onde um famoso médium dava consultas. O homem tinha agenda sempre lotada, Irene teve sua “consulta” agendada dias antes por uma amiga que lá residia.
         Não houve demora em ser atendida. Entrou. Um homem alto, magro, discretamente vestido, recebeu-a com a mão estendida. Ela logo caiu em choro convulso. O homem ofereceu-lhe um lenço de papel. Depois um copo d’água. Limpou os olhos, bebeu a água.  
         Acalmou-se. O homem passava tranquilidade, confiança. Ele não usava cartas, búzios ou qualquer outra coisa, apenas o olhar. Olhou-a com firmeza e disse-lhe que no final do verão o professor voltaria para ela, aos pedaços! Dito isso o homem calou. Apertou mais uma vez a mão de Irene que sentiu suas esperanças renovadas.
         A esperança iluminou o rosto e aqueceu o coração de Irene. Voltou para casa contando os dias para o final do verão que inda nem começara. Mas valeria a pena... Ele voltaria, provavelmente humilhado e traído pela bela jovem com quem estava “amasiado”, pediria perdão de joelhos... estaria aos pedaços, um caco de homem querendo muito ser perdoado pela esposa que o amava muito e esperara ansiosa sua volta.  Foi essa a cena que ela idealizou.
         Crendo na profecia, esperou o mais longo e quente verão. O marido gozava o verão em belas praias, em companhia da namorada. O casal havia escolhido uma praia  do litoral sul, conhecida pelos cânions que davam à  paisagem beleza ímpar,  para esticar a lua-de-mel que há meses viviam.
         Último mês do verão. Nada novo, nada mudava. Mas a professora não perdia a esperança, afinal o médium nunca erara antes, não haveria de ser agora.
         Na última quinzena do verão uma notícia abala a cidade: o professor e sua aluna sofreram um acidente e morreram afogados.
Irene não conseguia convencer-se, o oráculo errara, o marido estava morto e  em companhia da amante!  Voltaria morto!
         Porém os corpos ainda demoraram muitos dias para serem encontrados. Intensas buscas... após uma semana o corpo da moça é localizado e volta para sua família. Comoção geral. Tão jovem, tão ousada... que morte horrível, pobrezinha! A hipocrisia das pessoas  é atordoante...
         Irene, enlutada, pensava em quanto havia sido errada a previsão do médium, pois nem morto o marido havia retornado. Faltavam três dias para terminar o verão. E eis que os bombeiros localizam um corpo. Era ele. O marido, enfim, voltava... Comido dos peixes, deteriorado pelo tempo, literalmente aos pedaços.
         Irene errou! Acreditou no que era bom pra ela. O médium sabia o que estava escrito nas estrelas!

domingo, 13 de março de 2011

RECADO III (Para LAVRAS DO SUL, em 1991)

RECADO III
  
Quando estive na “tua” terra
conversei com o rio...
E ele acolheu as minhas saudades,
mas não me contou os teus segredos.
Eu não estranhei, nem insisti
Amigos são assim... fieis.
Mas os teus olhos estavam lá
eles ... o rio não pôde resguardar



(S.Sepé - Agos. /91)



O rio... (Lavras do Sul)






                                   








                                   


                       

                                  
  

sábado, 26 de fevereiro de 2011

PRÊMIO LITERÁRIO LEGISLATIVO DE CAÇAPAVA DO SUL

2º Prêmio Literário Legislativo de Caçapava do Sul



Desde o dia 21 de fevereiro até dia 08 de abril de 2011, estão abertas as inscrições para o 2º Prêmio Literário de Caçapava do Sul, uma parceria da Câmara de Vereadores e da Casa do Poeta de Caçapava (CAPOCAÇA).
O tema é livre, o gêneros poesia e crônica. Têm como público alvo estudantes do ensino fundamental e médio, acadêmicos e comunidade em geral.
Cada concorrente poderá participar com até 03 trabalhos em cada gênero. O resultado será divulgado na XXI  Feira do Livro, no mês de maio de 2011, ocasião em que ocorrerá a solenidade de premiação dos vencedores e lançamento do livro com sessão de autógrafos.
Os trabalhos deverão ser entregues em Caçapava do Sul, rua General Osório, 738 (55 - 9647 3315; em São Sepé, no Instituto Acácia, à rua Coronel Veríssimo, 920 (55 - 3233 1421; em Santana da Boa Vista, na Casa de Cultura Januária Freitas, à rua Av. Prefeito Antônio Cândido de Freitas, s/nº - centro, (53 - 32581314). Maiores informações nesses mesmos locais.
Os trabalhos deverão ser identificados com um Pseudônimo e apresentados como segue: Word; folha A4; 03(três) vias impressas e uma cópia de cada trabalho gravado em CD; letra Arial; tamanho 12; espaço entre linhas 1,5; com no máximo 30 linhas (Poesia) e 45 linhas (Crônica). O autor deverá ainda entregar 01 foto 3X4 e um breve histórico sobre sua vida literária ou pessoal gravado no CD.
O PRIMEIRO PRÊMIO que aconteceu em maio de 2010, foi MEUUUUUUUUU. Ganhei o prêmio DESTAQUE. E o Segundo que me aguarde... estou indo!

Algumas fotos do 1º prêmio...

Uma capa para meu álbum...
O troféu... Meu prêmio!!!
A Lei...
A Capa do Livro
O pretígio da Secretária de Educação de São Sepé...
Um autógrafo para a Analice...





Jornal do Pampa - Caçapava do Sul

Jornal A Palavra de São Sepé
A Fonte - Jornal de São Sepé...
A escritora premiada!!! Rsrsrs...



O texto -  premiação máxima ... Destaque


Análise do texto, pelo escritor  por Nélson Correa, da Casa do Poeta de Santa Maria.




domingo, 13 de fevereiro de 2011

Férias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Estive em férias!!! Período curtíssimo, pois durante todo mês de Janeiro ainda tive aulas do curso Mediadores de Leitura na Bibliodiversidade, da UFRGS. Foi excelente, mas me furtou muitos dias das férias.
Longe do telefone, longe do computador, longe de tudo... Passei ótimos dias em Lavras do Sul, onde tenho amigos e saudosas lembranças da minha infância vivida lá.
"Águas que brotam serenas..." - Rio Camaquã

Praia vista de casa.

Manhãs de leitura...



"As Parceiras" de Lia Luft...




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ENFIM, A MONOGRAFIA!!!!!

A DEFESA


Dia 23/12/2010, dia de, enfim "defender a monografia"... defender! 
O verbo defender causa-me a sensação estranha de ver a Monografia entrando no tribunal, algemada... olhos esbugalhados, jurando inocência, dependendo apenas do meu testemunho para ser absolvida.
Prefiro o verbo apresentar, é mais leve, menos impactante.
Mas, defendendo ou apresentando, lá estive eu e ela (a Monografia!) diante dos Doutos, a espera de nossa sentença. Fomos absolvidas!!!! Ufa, já era tempo.
Jornal A FONTE, 08/01/2011, São Sepé

A CARTOMANTE ( Intertextualização com texto de Machado de Assis)

A CARTOMANTE ( Intertextualização com texto de Machado de Assis)


AS CARTAS NÃO MENTEM... JAMAIS!
Cleana E. C. Brum



         Idos de 1983. Na pequena casa, na zona central da cidade, a mulher angustiada limpava a louça do almoço. Tinha ficado inquieta com os comentários feitos por sua mãe, a respeito de companhias com quem havia se acompanhado ao show infantil no qual levara seus filhos no dia anterior.  A mãe lhe aconselhou a não mais sair em companhia da vizinha Alice e de seus sobrinhos, também pequenos, regulando em idade com seus filhos. O “conselho” caiu como um raio, foi fulminante.
         Louça lavada, panelas bombrilhadas, refletiam sua imagem um tanto fora de forma, embora sua pele e seus cabelos fossem bem tratados.
         A mulher resolveu que aproveitaria a ausência do marido, que estava para o interior, ocupando-se de lidas agropecuárias, iria à casa da famosa cartomante Eliane, que morava em bairro distante do centro. Eliane morava próximo ao cemitério municipal, bem longe do centro. Não a conhecia, nunca tinha visto antes aquela figura cheia de mistérios e segredos, inclusive o seu.
         Lembrou-se do que suas amigas e clientes (a mulher era consultora de beleza de famosa marca de cosméticos) contavam a respeito da competência dessa cartomante em desvendar segredos e apontar soluções. Qual seria o mistério que havia na fala de sua mãe? Será que...? Será...?
         Considerou a distância, o sol que estava cáustico, o pouco dinheiro. Mas a ansiedade era maior. Decidiu-se por desviar aqueles 5 cruzeiros que guardava para gastar com seus cosméticos. Vestiu uma camiseta com mangas e decote que a protegessem do sol. Óculos escuros, cabelos presos em um rabo de cavalo. Bermuda vermelha e branca em xadrez miúdo, nos pé, havaianas. Um visual comum, incapaz de despertar atenção. Em momento algum do trajeto, que faria a pé, poderia encontrar algum conhecido, logo saberiam onde estaria indo. O marido não a perdoaria por estar gastando com essas bobagens. Suas amigas e conhecidas iam lá com frequência, mas iam de carro, assim não eram vistas a caminho da “madame” e seus maridos jamais suspeitariam, pois estacionavam carros em frente ao cemitério!
         Distância vencida, sem olhar para lado nenhum, não podia correr o risco de encontrar conhecidos, logo saberiam que ela estaria indo à cartomante, afinal para aqueles lados era a cartomante ou o cemitério. Não queria as indagações que as pessoas inescrupulosamente fazem a respeito de andar-se por “aqueles” lados. Também tinha a vergonha de ir à cartomante.
         Chegou. Suada e vermelha, sua pele era muito alva, sensibilizava-se ao sol. Apesar do estado físico que chegara teve a sorte de não encontrar nenhum conhecido pelo caminho e melhor, na sala de espera só ela.
         Um rádio ligado para confundir os sons. Então começou a agonia da espera na antessala. Na aflição da espera começou a lembrar um conto que leu certa vez. Era um conte Machado de Asssis, “A Cartomante”. Por um momento sentiu um arrepio em lembrar o fim de Camilo e Rita... “credo que horror!” pensou.
         Tomara que a cliente que estava a consultar não fosse sua conhecida, coisa desagradável encontrar conhecidos nesse lugar, o que iriam pensar? Sem contar a pergunta cretina que fazem a quem está esperando, como que a justificar a presença ali: “tu acreditas nessas coisas”?
         Acreditando ou não, lá estava a mulher. Suada, vermelha, trêmula, ansiosa. Estava a um passo da verdade. Enquanto esperava conversava com uma simpática menina, filha da Eliane, mas a lembrança da tragédia de Rita e Camilo ainda povoava seus pensamentos. A consulente que estava no consultório saiu. Que alívio! Não era sua conhecida, pelo menos não a ponto de explicarem-se por que estavam por ali.
         Incrível! Eliane não parecia com aquelas figuras caricaturadas que a literatura costuma nos apresentar para caracterizar uma cartomante. Era uma mulher relativamente jovem, com idade semelhante a sua, uns 25 anos aproximadamente. Pele e cabelos claros. Os cabelos conservavam a cor natural, um loiro-cor-de mel, soltos na altura dos ombros, estatura mediana, não era magra, mas não podia ser considerada gorda. Tinha seios fartos, talvez isso lhe desse um aspecto mais cheio. Olhos esverdeados, sorriso claro.
Vestia roupa clara e discreta. Nenhum esmalte nas unhas, nada de maquiagem, nada de turbantes e outros apetrechos. Uma aparência comum, agradável.
                  Mandou que a mulher entrasse. Perguntou-lhe o nome, a data de nascimento. Perguntou quem havia lhe indicado para a mulher. A mulher respondeu que fora uma amiga, aliás, as amigas sempre faziam bons comentários a seu respeito. Eliane tinha um crédito muito grande no seu círculo de amigas e clientes.
         O “consultório” era muito limpo, lajotas brilhantes no chão, uma mesa quadrada com toalha muito alva, duas cadeiras, um ventilador, e um copo de água sobre a mesa. Na parede um enorme quadro com a imagem de São Jorge; ao que a cartomante disse: “é ele quem responde, meu guia!”
         Pediu que a mulher baralhasse as cartas e depois cortasse em três partes. Cortadas às três partes pediu-lhe que escolhesse um montinho. Agarrou o montinho, firmou-o entre as mãos, olhou a consulente nos olhos, sorriu levemente e perguntou quem a mulher queria marcar.
         A mulher totalmente atordoada pela ousadia que tivera indo fazer aquela consulta correspondeu ao olhar firme e respondeu: “meu marido”. A sorte estava lançada... naquele montinho de cartas, seguras entre as mãos fofas da cartomante, estava o grande segredo. Num lampejo ainda lhe voltou à mente a tragédia de Machado.
         A cartomante virou a primeira carta. Apareceu a figura de um homenzinho de terno verde. Virou a segunda carta. Uma raposa com ar sorrateiro. A terceira carta – uma mulher de vestido claro, cortado na cintura e saia aramada, como os modelos dos anos 60.
         Eliane olhou fixamente para as três cartas abertas em cima da mesa. Seu rosto ficou sério. Olhou para a mulher que ansiava por escutá-la. Sem hesitar, sem medo de errar a cartomante foi taxativa: “teu marido tem outra mulher”.
         Pasma pela sentença que acabara de ouvir, a mulher pouco prestou atenção aos detalhes que faziam parte da história. Oura vez à memória o trágico fim de Rita e Camilo... Contudo ainda registrou que o caso era sério e que a raposa era alguém que ela conhecia, e que familiares da raposinha conviviam com a mulher. Descreveu a outra nos mínimos detalhes. O conselho da mãe estava decifrado! A maldita raposa era irmã de Alice. As crianças que Alice levara ao show, em companhia da mulher e seus filhos, eram os filhos da raposa.
         E agora, o que a mulher faria com essa revelação? Como dizer ao marido que sabia de tudo? Como inquirir o marido com base em uma consulta à cartomante?
         O marido, se bem o conhecia, riria dela...  chamar-lhe-ia de otária, dando ouvidos a esse tipo de gente. Juraria que era mentira, compraria umas panelas novas, um fogão novo, um sofá novo - era seu costume, para aliviar-se de algum pecado, equipar a cozinha com as novidades do momento; e proibiria a mulher de voltar naquela charlatã. 
          Que dom teria a cartomante para conhecer os segredos mais resguardados? Que dom é esse de dominar mistérios? E o que fazer com revelações chocantes e imutáveis?
         O que a mulher faria com aquele segrede descoberto? Juntando as peças ela sabia que a cartomante dizia a verdade, mas o marido negaria, com base na cartomante. Os amigos prefeririam não se meter. E agora... “e agora José?” 
         A mulher estava convicta da traição e da raposa, porém não podia dar como testemunha uma cartomante. Agora, diante da verdade, havia uma questão de honra, uma atitude precisava ser tomada. Afinal todos esperam uma atitude que dê um fim digno a um caso assim. A atitude demorou um pouco, mas veio. Era preciso provas que vieram em abundância, e não apenas revelações de uma cartomante.
         Não houve nenhum crime para lavar honras feridas. O fim foi menos drástico - uma separação apenas, que doeu tanto quanto a morte, não foi um crime passional, mas foi uma morte; a morte de um sonho que enlutou a mulher por muito tempo.
         O marido continua odiando cartomantes e a mulher, pelo menos uma vez por ano, faz uma consulta, pois acredita em bruxas e que elas existem... existem.