Enfim, sinto-me segura para realizar as manobras de retornar a esse espaço. Contudo, sei que, muito ainda tenho que descobrir. Tenho muitos trabalhos para elaborar nesse momento, só vou registrar um poesia de uma grande poeta sepeense e minha particular amiga, a Clara Gazen, que infelizmente, não está mais conosco.
JUSTIFICATIVA
Eu preciso de ti de vez em quando,
Como das chaves para abrir a porta
E está implícita em tudo o que te mando
Essa precisão do pouco que me importa.
Eu sei que tenho andado distraída
E às vezes, nem sequer lembro o teu nome
Mas sou um acúmulo de coisas já vividas
E tanto peso me sufoca e me consome.
É bem verdade que tenho algumas cismas
Dessas que mantemos por prudência
Quero ver o teu mundo do meu prisa
Preservar alguns princípios de decência.
E depois, eu tenho medo do imprevisto
Qualquer coisa que chegue antes do prazo
E por isso, também, que não insisto
Se tudo o mais está por conta do acaso.
Mas eu preciso de ti pela emoção
De dividir contigo um tempo escasso
Quando atravesso o rio pela tua mão
E adormeço serena no teu braço.

Cleo, eu estava com saudades de tuas palavras! Meu tempo tem sido escasso, tenho-o utilizado em estudos! Bela poesia realmente! Sei que te identificas com ela e tinhas afinidades com sua autora. Se diante de ti eu estivesse agora, estaria de joelhos pedindo-te perdão pela situação vivenciada naquela oportunidade. Perturbou-me sobremodo, bem o sabes. Não entendi todas as circunstâncias que a provocaram. Explicações? Serão mesmo necessárias? Até que ponto? De qualquer forma, é muito bom estares de volta, mormente agora que tens condições domésticas de nos brindares diariamente com tua inteligência, simpatia e sensibilidade!
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